poderia ter escrito o que
nem sei de ti,
apenas autorizando as veias
a arrastar-se no sangue emprestado
à morte
suspensa entre o primeiro e o teu último choro.
frutos da ausência,
às vezes somos espaços cruzados
nas almas de espanto;
sacramentos de manhãs nascituras,
eterno fio de desejo
que nunca rompe,
nem nunca enovelará.
(27.04.2009)
7.05.2009
Tempo...
olho o espelho e pergunto-me
se sou eu o embalado
naqueles rebordos oxidados da vida.
uma ruga compete
com um lenho do reflexo
e o nariz retorce-se
num movimento cómico.
há trinta anos
o espelho dizia loucuras de rapaz
e brilhava em
cada sábado de febre
com a palavra eternidade
a segurar-se dos bagos cristalinos
da água sobrada do banho.
a toalha branca
encolheu uma geração
e viu partir tantos outros, eternos.
o perfume tem um nome mentiroso
como o é toda a revoltada ousadia.
um dia
talvez o espelho sobre
para me contar os traços
mas não sei quais.
(29.04.2009)
se sou eu o embalado
naqueles rebordos oxidados da vida.
uma ruga compete
com um lenho do reflexo
e o nariz retorce-se
num movimento cómico.
há trinta anos
o espelho dizia loucuras de rapaz
e brilhava em
cada sábado de febre
com a palavra eternidade
a segurar-se dos bagos cristalinos
da água sobrada do banho.
a toalha branca
encolheu uma geração
e viu partir tantos outros, eternos.
o perfume tem um nome mentiroso
como o é toda a revoltada ousadia.
um dia
talvez o espelho sobre
para me contar os traços
mas não sei quais.
(29.04.2009)
6.30.2009
6.25.2009
6.23.2009
Só de passagem, sem reparares
Talvez um dia possas
ler este trilho de sopro
que deixa letras fingidas
onde inventaras esquecimento.
Até o impossível é mortal,
mesmo temporário.
E chorarás sem lágrimas
o castigo
de não teres aberto os olhos
ao meu regresso.
ler este trilho de sopro
que deixa letras fingidas
onde inventaras esquecimento.
Até o impossível é mortal,
mesmo temporário.
E chorarás sem lágrimas
o castigo
de não teres aberto os olhos
ao meu regresso.
6.21.2009
21 de Junho
choravam as estrelas, sabendo que o dia era longo, tão longo que ficou a ser o mais comprido. cheias da luz que lhes apaga a própria, resolveram rumar a sul.
6.19.2009
6.16.2009
6.14.2009
Sabíamos que a manhã viria
mas preferimos permanecer de olhos presos
com o peito enrolado
deixando que o mar respire
as nossas canções antigas.
Um pescador
empurra o branco côncavo
largando um rasgo
no cinzento marinho.
Uma temerária lula
canta canções de amor
e entra na rede.
Ninguém dirá
que morreu de paixão,
tal como nós vivemos.
mas preferimos permanecer de olhos presos
com o peito enrolado
deixando que o mar respire
as nossas canções antigas.
Um pescador
empurra o branco côncavo
largando um rasgo
no cinzento marinho.
Uma temerária lula
canta canções de amor
e entra na rede.
Ninguém dirá
que morreu de paixão,
tal como nós vivemos.
6.13.2009
retorno, eterno retorno
Deixávamos na areia os calcanhares corrompidos
do alcatrão da cidade
e as ondas vinham em formação
esfregar o amarelo com bolhas de espuma
até se diluir por completo
o desperdício com que
oleávamos as canseiras dos dias.
Olhavas-me no repouso das horas
respirando plenitude a compasso
sem uma palavra
sem um gesto a mais.
Ao fim da tarde deixavas
os lábios nos meus,
as gaivotas grasnavam inveja
e eu dizia ao mar que voltaria.
Séculos depois, regresso
condenado à lembrança
que confunde as cores
que imagina os sons
que se perde
no horizonte do retorno.
O azul cheira-me a verde-cinzento,
a manhã teima em não se levantar
e, de encontro ao vento,
encontro um búzio
a chilrear amores.
Corro dele,
sei que guardou a nossa história
e o vento não consente
essa memória.
do alcatrão da cidade
e as ondas vinham em formação
esfregar o amarelo com bolhas de espuma
até se diluir por completo
o desperdício com que
oleávamos as canseiras dos dias.
Olhavas-me no repouso das horas
respirando plenitude a compasso
sem uma palavra
sem um gesto a mais.
Ao fim da tarde deixavas
os lábios nos meus,
as gaivotas grasnavam inveja
e eu dizia ao mar que voltaria.
Séculos depois, regresso
condenado à lembrança
que confunde as cores
que imagina os sons
que se perde
no horizonte do retorno.
O azul cheira-me a verde-cinzento,
a manhã teima em não se levantar
e, de encontro ao vento,
encontro um búzio
a chilrear amores.
Corro dele,
sei que guardou a nossa história
e o vento não consente
essa memória.
6.07.2009
fingido choroso
e de que vale acrescentar palavras a este tempo, mestre de insinuações, que lança risos solarengos na semana de trabalho e depois, como um pecador arrependido, chora angústias pelo domingo fora
6.03.2009
Na admiração do escuro
Não digas nada, agora:
o sol está a despedir-se
e usa o seu rito pessoal;
com o calor do dia
podes libertar ânsias
a que não correspondo.
Deixa que a noite tropece nos seus laços
e nos enleie de sentimentos;
dos mais pretéritos
aos mais presentes;
vai convidar-nos a espreitar a lua,
entre um beijo consentido
e outros gestos
perdidos na admiração do escuro.
(21.02.2009)
o sol está a despedir-se
e usa o seu rito pessoal;
com o calor do dia
podes libertar ânsias
a que não correspondo.
Deixa que a noite tropece nos seus laços
e nos enleie de sentimentos;
dos mais pretéritos
aos mais presentes;
vai convidar-nos a espreitar a lua,
entre um beijo consentido
e outros gestos
perdidos na admiração do escuro.
(21.02.2009)
5.31.2009
conjugação verbal
olho o sol no pique do dia
e rogo ideias, palavras, cores
quero gritar os meus amores:
silabas inteiras, e fantasia.
não suo ao sol. só os calores
com que traço e escrevo poesia
são lembrança do teu cristalino olhar
forma recatada de conjugar o verbo ____ .
(17.05.2009)
e rogo ideias, palavras, cores
quero gritar os meus amores:
silabas inteiras, e fantasia.
não suo ao sol. só os calores
com que traço e escrevo poesia
são lembrança do teu cristalino olhar
forma recatada de conjugar o verbo ____ .
(17.05.2009)
as tuas mãos são céu
as tuas mãos são a flor
que deixa no solitário a ideia do ramo
talvez nem seja amor
mas é sol por inteiro, todo o ano.
as tuas mãos rasgam-me o corpo
e eu, absorto
entrego-me por inteiro ao desleixo
de calar o que te deixo.
vamos
(anos e anos)
respirar o eterno dos dias
(tristezas, alegrias...)
tu e eu
somos o mundo todo
(a seu modo...)
somos céu.
(17.05.2009)
que deixa no solitário a ideia do ramo
talvez nem seja amor
mas é sol por inteiro, todo o ano.
as tuas mãos rasgam-me o corpo
e eu, absorto
entrego-me por inteiro ao desleixo
de calar o que te deixo.
vamos
(anos e anos)
respirar o eterno dos dias
(tristezas, alegrias...)
tu e eu
somos o mundo todo
(a seu modo...)
somos céu.
(17.05.2009)
5.30.2009
5.20.2009
voando
o meu rumo é tão incerto como a certeza do infinito
e levo as palavras que vós abandonastes
no sortilégio das ondas.
só porque vos recusais ao vento,
o meu insano grito é escuro silêncio
nos ouvidos pecadores.
o meu destino não é, salvo
o ter sido
e aparto-me das admirações conservadoras
com que quereis repristinar o antigo.
gasto os últimos alicerces
para burilar plumas de Ícaro
e poder ver-vos,
na trôpega glória do mundano,
desde os guindastes das pontes.
sei não chegar mais alto
que os badalos dos sinos,
preso nas recordações
que me carregam o fardo.
quem dera ser leve!
voar
e só lançar a mão
aos que nunca me conquistaram.
e levo as palavras que vós abandonastes
no sortilégio das ondas.
só porque vos recusais ao vento,
o meu insano grito é escuro silêncio
nos ouvidos pecadores.
o meu destino não é, salvo
o ter sido
e aparto-me das admirações conservadoras
com que quereis repristinar o antigo.
gasto os últimos alicerces
para burilar plumas de Ícaro
e poder ver-vos,
na trôpega glória do mundano,
desde os guindastes das pontes.
sei não chegar mais alto
que os badalos dos sinos,
preso nas recordações
que me carregam o fardo.
quem dera ser leve!
voar
e só lançar a mão
aos que nunca me conquistaram.
5.17.2009
alegrias findas, antes de renovadas
o dia. golo a golo, lentamente, lá se foi a alegria
na garrafa. vou telefonar e vou anunciar
que há mais pró ano. a vida não tem engano.
5.16.2009
posso (mas com as palavras)
com as palavras pinto um universo infinito
e no poema posso sonhar-te inteira em azul
porque invento a realidade toda
(tão real como a restante);
mudo a posição do sol
ou desta cadeira de madeira;
mudo o teu olhar
- já de si tão belo –
e acrescento-lhe o meu. eu sou
o rei dos meus ditongos
o astro do meu verso
E NENHUM MILHÃO ME OBRIGARÁ
a inventar um som ainda mais bonito. posso
escrever o escuro com tinta luminosa
(poesia ou prosa)
e soletrar todo de amarelo
o ar triste do choro que te invento. olha
que posso dizer para não olhares
e com uma mentira tão verdadeira
como uma real falsa aparência
simular que te estou a dizer não.
posso pontuar a tua vida inteira
com vírgulas às carradas,
das que me ordenaram a pausa. paradas. e
exclamo
- assim o querendo –
que nunca serás a mesma
como nunca deixaste de ser.
com esta tinta até posso
dizer que perdi o poder,
dizer que já não sei escrever.
e no poema posso sonhar-te inteira em azul
porque invento a realidade toda
(tão real como a restante);
mudo a posição do sol
ou desta cadeira de madeira;
mudo o teu olhar
- já de si tão belo –
e acrescento-lhe o meu. eu sou
o rei dos meus ditongos
o astro do meu verso
E NENHUM MILHÃO ME OBRIGARÁ
a inventar um som ainda mais bonito. posso
escrever o escuro com tinta luminosa
(poesia ou prosa)
e soletrar todo de amarelo
o ar triste do choro que te invento. olha
que posso dizer para não olhares
e com uma mentira tão verdadeira
como uma real falsa aparência
simular que te estou a dizer não.
posso pontuar a tua vida inteira
com vírgulas às carradas,
das que me ordenaram a pausa. paradas. e
exclamo
- assim o querendo –
que nunca serás a mesma
como nunca deixaste de ser.
com esta tinta até posso
dizer que perdi o poder,
dizer que já não sei escrever.
5.15.2009
5.11.2009
superioridade teimosa
deito-me. ao som de uma melodia gasta, que os condóminos, só porque num piso mais cimeiro, teimam em galinhar pelos espaços comuns, entrando até nos meus sossegos. sempre com essa vã ideia da superioridade das escadas e da glória do clássico. teimosos.
5.10.2009
5.08.2009
5.05.2009
sonhos de primavera
vou-me deitar numa janela fresca. tão fresca de só sonhada. acordarei resfriado, de tanto sonhar.
5.04.2009
5.02.2009
4.26.2009
4.22.2009
4.18.2009
4.16.2009
4.13.2009
4.12.2009
por castigo
vou-me deitar à sombra da tua espera. enquanto assim, passam em redor gritos de pássaros e alheio-me do mundo. só pelo castigo que lhe deixo.
4.10.2009
Quando se tomba
olhei o céu num gesto involuntário
quando uma estrela tombava do seu ritmo
e o teu olhar
recuperou-me o pensamento
onde imaginava cavalos alados
em trajectórias de circo. Vinte
anos são dois instantes
e gastei-os inteiros
a descobrir o som do infinito.
o teu rosto calou-se,
o teu olhar caiu
o teu sorriso perdeu-se
atrás de uma boca vermelha. Vinte
dias chorei sem lágrimas
a ausência de contrastes,
do atrito onde pude perder a mão,
e tu calaste-me o peito. O
infinito era só não ter medo
que os dedos se desentrelaçassem
à passagem de uma nuvem carregada. A
fé é um percalço intemporal. Como
um qualquer outro.
(29.03.2009)
quando uma estrela tombava do seu ritmo
e o teu olhar
recuperou-me o pensamento
onde imaginava cavalos alados
em trajectórias de circo. Vinte
anos são dois instantes
e gastei-os inteiros
a descobrir o som do infinito.
o teu rosto calou-se,
o teu olhar caiu
o teu sorriso perdeu-se
atrás de uma boca vermelha. Vinte
dias chorei sem lágrimas
a ausência de contrastes,
do atrito onde pude perder a mão,
e tu calaste-me o peito. O
infinito era só não ter medo
que os dedos se desentrelaçassem
à passagem de uma nuvem carregada. A
fé é um percalço intemporal. Como
um qualquer outro.
(29.03.2009)
4.07.2009
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