daqui a nada vais ligar outra vez. o telefone, esquecido na quina da mesa, vai gritar o teu nome. há pouco, estava ele mais saudoso que eu. agora, sinto-me outro, cheio de comunicação.
6.29.2008
por enquanto
pingas de um suor físico, a escoar luz. água, água fresca e noite longa. pedidos recusados, por enquanto.
6.27.2008
Depois da noite...
Quando as gaivotas traçam o céu
Céu azul cinzento, de tarde finda
Imaginava-te eu, antes desse véu
Que esconde mais saudade, ainda
Tinha receio d’escancarar a descoberta
Que o pudico é outro nome de enlevos
Se da sonolência nossa, algum desperta
Deixamos de saber encobrir os medos.
Assim, deixo que as gaivotas dissipem,
Que a noite chegue, eterna conselheira
A consolar os fantasmas que a habitem
No ar melado da surrealista cavaqueira
Amanhã, o Sol vem estalar o tempo
O calor suará dos corpos fatigados;
Voltamos a esperar a noite, advento
Dos amores, repetidos de cansados.
Céu azul cinzento, de tarde finda
Imaginava-te eu, antes desse véu
Que esconde mais saudade, ainda
Tinha receio d’escancarar a descoberta
Que o pudico é outro nome de enlevos
Se da sonolência nossa, algum desperta
Deixamos de saber encobrir os medos.
Assim, deixo que as gaivotas dissipem,
Que a noite chegue, eterna conselheira
A consolar os fantasmas que a habitem
No ar melado da surrealista cavaqueira
Amanhã, o Sol vem estalar o tempo
O calor suará dos corpos fatigados;
Voltamos a esperar a noite, advento
Dos amores, repetidos de cansados.
6.22.2008
O Verão da Francisca
Francisca perguntou se chegara o Verão.
Trazia longas tranças nos cabelos espiga
Eu olhei-a, lento a sair-me da distracção
De um poema; mas ela era minha amiga
E disse-lhe a verdade: não reparei
O tempo vinha triste, descontente
Como saíra, também logo eu entrei
E não atentei em nada de diferente
- Mas olha que sim, sinto-o no corpo
Teimou, deitando olhos de azul vivo
- Se assim, Xisca, conclui-lhe absorto
Nem virá; afinal preferiu ficar contigo.
Trazia longas tranças nos cabelos espiga
Eu olhei-a, lento a sair-me da distracção
De um poema; mas ela era minha amiga
E disse-lhe a verdade: não reparei
O tempo vinha triste, descontente
Como saíra, também logo eu entrei
E não atentei em nada de diferente
- Mas olha que sim, sinto-o no corpo
Teimou, deitando olhos de azul vivo
- Se assim, Xisca, conclui-lhe absorto
Nem virá; afinal preferiu ficar contigo.
6.21.2008
6.18.2008
Rir e sonhar
Tenho saudades daquele tempo
Em que corrias atrás de… nada
A cabeça a beber o som do vento
E o mundo ali parado; e tu parada
Pois não eram precisos passos
Nem força, suor, ou a correria
Nossos olhos eram os espaços
De se sonhar o voar da fantasia
Passávamos as tardes no baloiço
Só a balançar os olhares risonhos.
Hoje, a cada acordar, ainda o oiço:
Dizias ser só isso o rir dos sonhos.
Em que corrias atrás de… nada
A cabeça a beber o som do vento
E o mundo ali parado; e tu parada
Pois não eram precisos passos
Nem força, suor, ou a correria
Nossos olhos eram os espaços
De se sonhar o voar da fantasia
Passávamos as tardes no baloiço
Só a balançar os olhares risonhos.
Hoje, a cada acordar, ainda o oiço:
Dizias ser só isso o rir dos sonhos.
6.15.2008
libertação
Um sonho caminha na minha tarde de ânsias
E deixa traços, rastos das memórias passadas
Confundo o que é só meu e das dele errâncias
Como se ao olhar o sol visse tardes molhadas
O sonho diz haver uma sereia junto ao mar
Pintada naquele azul tempo que eu esqueço
Que por socorro ecoa nos rochedos a gritar
Dizendo que não correndo a vida desmereço
Que sou só eu, só eu, o quem que a liberta
Pois também fora eu o quem que a prendeu
E se presto não vou, galope alado, pela certa
O seu grito d’alerta, quando chegar, morreu
E deixa traços, rastos das memórias passadas
Confundo o que é só meu e das dele errâncias
Como se ao olhar o sol visse tardes molhadas
O sonho diz haver uma sereia junto ao mar
Pintada naquele azul tempo que eu esqueço
Que por socorro ecoa nos rochedos a gritar
Dizendo que não correndo a vida desmereço
Que sou só eu, só eu, o quem que a liberta
Pois também fora eu o quem que a prendeu
E se presto não vou, galope alado, pela certa
O seu grito d’alerta, quando chegar, morreu
6.14.2008
Desassossegos
"Tendo visto com que lucidez e coerência lógica certos loucos justificam, a si próprios e aos outros, as suas ideias delirantes, perdi para sempre a segura certeza da lucidez da minha lucidez" - B. S.
Desassossegos
"Cada vez que o meu propósito se ergueu, por influência dos meus sonhos, acima do nível quotidiano da minha vida, e um momento me senti alto, como a criança num balouço, cada vez dessas tive que descer com ela ao jardim municipal, e conhecer a minha derrota sem bandeiras levadas para a guerra nem espada que houvesse força para desembainhar" - B. S.
6.08.2008
pela areia
às vezes, uma onda abusadora, deitava pela areia os castelos erguidos. eles voltavam à empresa, sorridentes e desafiantes.
mãe mar
Quando fores velhinha e de cabelo branco
Continuarás a sentar-te feliz junto do mar
No banco onde sempre t’espreito de espanto
E ver-te é um exercício inteiro de sonhar.
Os dedos já falharão os traços de artista
Com que me pintaste o tempo toda a vida
Ao areal e ao verde não chegará a mesma vista
Porque foi comprida a tua missão cumprida.
Temo a saudade de olhar o banco, apenas
E ver-te igual, mas sem te ouvir a voz
Ainda que no olhar m’escrevas poemas
A dizer que os dois nunca ficaremos sós.
Cem anos que eu vivesse te sentiria
Em cada instante que fecho os olhos.
É impossível não respirar a maresia
Que contigo se mistura nos meus sonhos.
Continuarás a sentar-te feliz junto do mar
No banco onde sempre t’espreito de espanto
E ver-te é um exercício inteiro de sonhar.
Os dedos já falharão os traços de artista
Com que me pintaste o tempo toda a vida
Ao areal e ao verde não chegará a mesma vista
Porque foi comprida a tua missão cumprida.
Temo a saudade de olhar o banco, apenas
E ver-te igual, mas sem te ouvir a voz
Ainda que no olhar m’escrevas poemas
A dizer que os dois nunca ficaremos sós.
Cem anos que eu vivesse te sentiria
Em cada instante que fecho os olhos.
É impossível não respirar a maresia
Que contigo se mistura nos meus sonhos.
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