9.02.2008

sobras

sobram uns calores de tempo. apenas como se o verão fosse teimoso, incapaz de aceitar as mudanças dos meses, levando a peito o rigor metodológico das estações.

8.31.2008

setembro

vem aí o setembro, em passo de corrida. nos ombros a sacola do a e i o u. corre agosto, se queres aprender as falas.

sem letras

sem letras poderíamos olhar cem vezes a tua fala de gestos. talvez no olhar se visse um texto bastante.

bailados

na esquina da luz as nuvens espreitam oportunidades, antes que a noite abafe os seus andamentos bailados.

perceber

sonhar acordado. não consigo acordar e perceber esse sonho.

fora fevereiro

se fora fevereiro ainda daria para uma distracção que evitasse a saudade da passagem. o tempo quente também não ajuda.

agosto

assim a caírem gota a gota, como se cada uma fosse um dia inteiro, parece custar mais quando se chega o fim. e trinta e um é sempre o máximo.

noite

renova-se a noite em cada escuro, sofrendo mansamente a liberdade da luz.

8.27.2008

trabalho

encontrei o trabalho no mesmo sítio. tinha, ele mesmo, a mesma vontade. bem dizem que ainda há quem nos espere.

8.26.2008

cabelo

e tu descias a escada de granito, onde a ramada deixava sombras fugidias. era verão e ondulavas o cabelo contra o vento morno e escasso.

peito

tenho saudades de um tempo apertado contra o peito, quando os segredos se diziam de ouvido aberto, quase sem mudar a voz.

8.25.2008

Naquela casa, já toda descaída das lembraças passadas...
Naquela prais só nossa, onde o vento temia a visita...

tarde caída

quando a tarde caia em tons definitivos, mesmo que apenas para esse dia ido, sossegava-te o espírito e voltavas a ser a mesma. por uma noite.

tormentos

dizias que andavas sem jeito, naquela tarde de sombras. as nuvens teimavam em brincadeiras com o astro maior e, quando se desviavam, vinha um raio quente que te atormentava.

8.24.2008

8.20.2008

perigo claro, mesmo que azul


seixos

houve dias em que acordei com o suave rugido do mar a rolar os seixos na maré. o despertou zangou-se de inutilidade, mas não tem mal.

memória

perdera anos sem te ver o olhar e recupero agora essa expressão sentida. o tempo intermédio, num instante, apagou-se da memória.





água salgada

a água, salpicando de sal o gosto da tarde, caminhava suavemente por sobre os pés cansados. preparava a jornada seguinte.


maré vasa

houve uma outra altura em que se deixou dormir com a maré vasa e quando acordou, um dia depois a maré estava igual. sonhara que o sol lhe secou a camisa branca.

sinais

consta que caminhava tão suavemente na areia fina da praia que tornava impossível o reconhecimento das marcas. um dia, nervoso por um assunto mal encaminhado, deixou cair o pé em sobressalto. o mar, que o via passar por ali horas sem fio, correu a apagar os sinais.

8.19.2008

Tempo


parecida

sei lá que será essa coisa da saudade. sinto só qualquer coisa que, sei lá, é parecida, talvez muito parecida, com ela.

onda

por vezes, em dias estranhos, uma onda sai do ritmo e atemoriza o olhar sereno de quem se quer passar por marinheiro.

maré

o mar descansa como os meus olhos nele descansam. irmanados nessa calma que o sal empresta à água, suplicamos que a maré não venha desconforme.

Cores do Mar





O Sol, mesmo na hora descaída, atacou de modo ignorado
e deixou na areia escura e pisada a tua silhueta, como um rodado.
Bem te avisei: na próxima dispara com diferente cuidado.

dias de verão

dizem que no verão os dias são maiores e acreditamos nas coisas que nos dizem. mas o que é certo é tudo quanto nos diz o relógio: vinte e quatro horas, nada a mais, nada a menos.

só pelo nome

Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus
Caio Júlio César Octaviano Augusto
faleceu em 19 de Agosto de 14 DC

8.18.2008

São Martinho do Porto, 17 de Agosto de 2008

olímpico

corria atrás do prejuízo. como se o ideal fosse um pedaço de queijo e ela um rato amestrado.

livros

páginas perdidas em demanda de uns dizeres vagamente lembrados. os livros fazem-nos diabruras. jogam às escondidas como no tempo da casinha na árvore.

8.17.2008

S. Pedro de Muel, 17 de Agosto de 2008

foz

quem chega ao fim vê que não existe. vê que o doce se mistura ao salgado e glorifica a água.

rio

tenho saudades das águas que lutam contra o mar. das águas doces que acompanham as margens, que as revoltam.